Dicas de transição capilar

Exibir, com todo o orgulho desse mundo, os cachos naturais está na moda! Renata conta como foi seu processo de resgate, depois de anos de progressiva.

Apesar de ter ajudado muitas mulheres a perder o medo da umidade e da chuva e temporal, a escova progressiva começou a quebrar e enfraquecer os fios. Ao mesmo tempo, o mundo da moda e das celebs caiu de amores pelos cachos e pelo volume máximo – notícia mais que bem vinda para mais da metade da população brasileira, que tem cabelos cacheados ou crespos.

O grito ganhou força na internet – Facebook, Youtube e Instagram (Ju Paes voltou aos cachos, Tais Araújo, Cris Vianna, Sheron Menezzes, Lucy Ramos, Débora Nascimento, Leandra Leal exibem os seus) e das ruas. A atendente de SAC Renata Bernardes, de 33 anos, entrou na onda e resolver recuperar seus cachos de nascença. Inspire-se!

 

Por um fio

“Eu fiz escova definitiva dos 18 aos 21 anos. Retocava a cada ano, porque minha raiz não era tão enrolada. Quando crescia demais, dava um jeito com escova e chapinha”, conta Renata, que antes disso vivia com o cabelo crespo preso em rabos de cavalo ou birotes. “Só saía se fizesse chapinha. Achava que precisava estar lisa para ficar bonita. Até que, no último retoque, há uns 8 anos, meu cabelo quebrou muito. Fiquei preocupada e assustada!”, lembra.

Começou, então, o processo de transição. “A fase coincidiu com muitas mudanças na minha vida: mudei de casa, de cidade, casei (meu ex-marido valorizava meus cachos). Conheci mulheres independentes, com autoestima legal. E resolvi deixar de fazer a progressiva, apesar de continuar alisando meus cachos com escova e chapinha e processos mais fracos como botox, por mais um ano”, conta.

Medo de sair na rua

Renata conta que bateu insegurança, sim. “Principalmente quando ia arrumar meu cabelo para sair. Tinha receio dos olhares dos amigos, dos familiares. A autoestima fica abalada… Eu ouvia coisas do tipo: ‘Você vai sair com esse cabelo???’”

Aí, ela relembra que passou por uma fase de aceitação dá sua ancestralidade, foi aos poucos se sentindo mais poderosa, até que tomou coragem de cortar os fios na altura do pescoço. “Eu tinha o apoio de uma tia cabeleireira que ia sempre repicando o cabelo para tirar as partes com química. Até o dia que decidi acabar logo com aquilo e cortar mais.”

 

Libertação

Para reverter o efeito da progressiva, relaxamento e de outros alisamentos, não há como fugir da tesoura, o tal do Big Chop. “Mas se não quiser cortar muito curto é possível apostar em um comprimento médio e modelar o resto dos fios que ainda têm química até que o cabelo cresça”, diz o cabeleireiro Julio Crepaldi.

Dicas de corte

O mandamento número um do corte de cabelo cacheado é usar a tesoura (jamais navalha), nele seco. Os fios enrolados mudam o shape ao secar. “Dou forma e textura num pré-corte com os fios secos. Aí, lavo e ajusto com ele molhado”, fala Crepaldi. Fica a dica: camadas desconectadas tiram o volume e dão um caimento bonito.

Cuidado: frágil

Cabelos cacheados e crespos são finos e frágeis por natureza. “Esse tipo de fio tem menos escamas quando comparado com o cabelo liso. Enquanto no cabelo afro temos cerca de 5 a 6 camadas de cutículas capilares, em um oriental, a média é de 10 a 12, fala Julio Crepaldi. Quanto mais estreito o cacho, maior a tendência de o fio ser fino e a dificuldade de a oleosidade natural do chegar até as pontas. O resultado é ressecamento.

Procura-se um leave-in

“Cabelo cacheado dá trabalho, mas dá para cuidar sem gastar horrores”, fala Renata. “Não tenha medo do volume. Os cachos estão em alta, Coloque os seus na rua!”, incentiva ela. Cachos mais soltos se dão melhor com produtos mais leves como loções, emulsões, leites e séruns. Já os enrolados mais fechados e estreitos ficam melhor com cremes mais viscosos, que acabam tendo maior concentração de ativos.

Procure por emolientes vegetais, pró-vitamina B5, proteína hidrolisada, ceramidas e aminoácidos como a glicina. Evite passar cremes na raiz e sempre enxágue bem. “O acúmulo de produtos pode causar uma intoxicação dos fios. As camadas de resíduos deixam o cabelo opaco, gorduroso e pesado. Isso também pode prejudicar o nascimento de novos fios, bloqueando o crescimento, ou levando à seborreia e até a queda”, conta o cabeleireiro.

- Por Karina Hollo