Perfumes árabes: uma história aromática milenar

Desvende a rica história dos perfumes árabes, da extração do óleo de Oud e opções modernas para conhecê-los

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Os perfumes árabes têm uma trajetória rica e antiga, que se misturam à história de países como Índia e Espanha, e a presença de ingredientes usados até hoje na perfumaria moderna e ocidental.

Com Fábio Navarro, especialista em perfumaria, investigamos um pouco mais sobre a história tão rica da produção de fragrâncias pelo Oriente Médio.

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Qual a história dos perfumes árabes?

Para começar o mergulho na história da perfumaria árabe, de acordo com a publicação Trends in the Use of Perfumes and Incense in the Near East after the Muslim Conquests, a aplicação de ingredientes na perfumaria, ocorreu lado a lado com o uso medicinal, dividindo alguns ingredientes mais usados no período pré-islâmico e outros durante a conquista islâmica. São eles

  • Bálsamo
  • Canela
  • Rosas
  • Íris
  • Lírio

Já o açafrão, o musk, o âmbar e a madeira de agar – ou agarwood – apesar de não necessariamente serem parte exclusiva da região do Oriente Médio, e sim da Índia, começam a entrar na literatura sobre a perfumaria árabe.

Fábio complementa: “o Oriente Médio sempre foi conhecido por trabalhar com cheiros intensos e matérias-primas diferentes, algo muito local. A perfumaria no Oriente Médio existe desde sempre.

Por que os perfumes árabes são bons?

Quando a gente fala da perfumaria como conhecemos hoje, devemos pensar que do Oriente é o lugar de onde vem especiarias, matérias primas mais quentes e que  eles sempre usaram perfumes no dia a dia – em óleo, queima de madeira e até folhas, plantas, flores – porque se perfumar, tanto dentro de casa, quanto fora de casa, é algo que faz parte da cultura”.

A publicação ainda conta que, a expansão árabe ao sul da Europa e Índia fez com que houvesse uma mescla enorme de ingredientes, e alguns aromas – mais baratos – como o musk e a cânfora – fossem mais comercializados do que bálsamo e a mirra, por exemplo.

Na perfumaria mais moderna, “os amadeirados, os ambarados e os especiados. Tudo que é mais intenso e quente, está muito ligado à perfumaria árabe. Das famílias olfativas, a oriental e a amadeirada”, completa o especialista.

Os perfumes árabes trazem notas como Oud, bálsamo, canela, rosas, íris e lírio

O que é o cheiro oud?

O óleo de Oud, bastante associado à perfumaria árabe, já que entra na pirâmide olfativa de diversos perfumes ocidentais, data o mundo pré-islâmico, de acordo com a publicação, na forma de perfumes líquidos e em incensos.

Hoje, é um ingrediente nobre e tem um processo de extração bastante peculiar, como comenta Fábio.

“O Oud é tido como o ouro negro e tem características super interessantes. É importante no mundo árabe, já que a madeira é usada em rituais. O óleo leva anos até ser obtido, já que a árvore da qual ele é extraído, a agarwood, é infestada por uma bactéria e, nessa reação contra, gera uma resina – o Oud. Ela vai ser tratada e, a partir dela, é extraída uma resina e um óleo essencial para a perfumaria.

Ele entra nos perfumes na forma líquida: é um amadeirado, mas cada local tem sua particularidade. Existe o Oud do Oriente Médio, o Oud da Ásia e cada lugar tem sua característica especial: é um cheiro de madeira mais úmida, até animálico, presente e bastante sofisticado”.

Perfumes árabes: opções femininas e masculinas

- Por Isabelle Guedes