Qual o melhor protetor solar para luz visível e luz azul?

Será que o filtro comum também protege a pele contra a luz visível de aparelhos eletrônicos? A dermatologista Dra. Gabrielle Mendonça explica

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Protetor solar com cor, sem cor, em cápsula… hoje, o que não faltam, são opções para proteger a pele dos raios solares. Mas, será que qualquer um desses produtos também protege a pele da luz visível – seja das lâmpadas, do celular, do computador ou da TV? Conversamos com a dermatologista Dra. Gabrielle Mendonça para responder essas e outras dúvidas sobre os protetores para luz visível.

O que é a luz visível e a luz azul?

“Luz visível é o espectro de radiação que pode ser visto pelo olho humano. A principal fonte natural de LV é a luz solar, que corresponde a cerca de 40% da radiação total que chega ao planeta. Fontes artificiais incluem lâmpadas, lasers e outros aparelhos, como computadores, televisores e telefones celulares, entre outros”, explica Dra. Gabrielle.

Segundo ela, até algum tempo atrás, a luz visível era considerada relativamente inofensiva para pele quando comparada com a radiação ultravioleta e infravermelha, mas a literatura recente defende que ela é sim prejudicial e pode causar manchas avermelhadas e alterações pigmentares em pessoas com a pele mais escura. “No entanto, a luz visível tem efeitos dezenas de vezes menos intensos que os promovidos pelo UVA e milhares de vezes menores que os UVB”, diz a dermatologista.

Todos os protetores protegem contra a luz visível?

Não. A maioria dos protetores solares protegem apenas contra os raios UVA e UVB. O único tipo de produto que bloqueia os efeitos da luz visível na pele são os filtros físicos que devem conter dióxido de titânio ou óxido de zinco na pele. Esses ingredientes refletem e dispersam a luz, construindo uma barreira física contra as radiações. Geralmente, esses são os protetores com cor.

Vale lembrar que, mesmo se não for se expor diretamente ao sol, o protetor solar com FPS 30, no mínimo, é indispensável nos cuidados diários com a pele. “Todos os dias, mesmo se estiver frio ou nublado. Precisamos de protetor até dentro de casa, em ambientes fechados com alta luminosidade, como o escritório. Além da luz das lâmpadas e eletrônicos, mesmo dentro de locais fechados pode ocorrer exposição indireta à radiação solar, mesmo que por pouco tempo. Por isso, o uso do filtro solar é indispensável”, orienta Dra. Gabrielle que também relembra a importância de reaplicar o produto ao longo do dia.

Preciso aplicar protetor se for me expor à luz de eletrônicos?

Mesmo à noite, nós costumamos ficar expostos à luz visível, seja pelas lâmpadas de casa ou pelo celular e computador. Nesses casos, também precisamos passar protetor? Essa discussão ainda é muito nova na medicina e ainda são poucos estudos que examinam o impacto da luz azul (a luz visível emitida por eletrônicos) à longo prazo na pele.

Segundo Dra. Gabrielle, os últimos estudos mostram que a luz visível tem efeito na produção de radicais livres, que geram substâncias que degradam o colágeno, aceleram o envelhecimento da pele e podem causar manchas. Porém, os celulares, computadores e as TVs ainda têm um efeito desconhecido. “Um ensaio clínico investigou o efeito da luz azul emitida por televisores e computadores em melasma. Os pesquisadores descobriram que 8 horas por dia de exposição a um computador de alta intensidade ao longo de 5 dias não piorou o melasma. No entanto, o impacto dessas condições em um curso de tempo mais longo ainda não pode ser descartado”, explica a médica.

Então, vale o bom senso. Durante o dia, mesmo se for ficar em casa, aplique o protetor solar. Durante a noite, não é necessário, a não ser que você vá passar muitas horas exposta à luz azul.

- Por Maria Clara Serpa