Foliculite no couro cabeludo: o que é e como tratar

Do diagnóstico ao tratamento, a tricologista Marcela Buchaim tira todas as suas dúvidas sobre a foliculite capilar. Vem ver!

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Como temos pelos no corpo todo, há chances de o organismo desenvolver foliculite em diferentes áreas, inclusive na cabeça. 

A foliculite capilar pode começar discreta: uma coceira insistente, uma bolinha dolorida na raiz do fio, uma vermelhidão que parece não ir embora. Mas, quando aparece no couro cabeludo, ela merece atenção, já que a região concentra oleosidade, suor, resíduos de produtos e folículos pilosos ativos o tempo todo.

Para explicar tudo sobre o quadro, conversamos com a tricologista e expert Marcela Buchaim, que explica o que é a foliculite no couro cabeludo e como tratar a inflamação da forma correta.

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O que é a foliculite capilar?

A foliculite capilar é uma inflamação dos folículos pilosos, que são as pequenas estruturas da pele de onde nascem os fios. De acordo com Marcela Buchaim, essa condição pode ou não vir acompanhada por uma infecção, causada por bactérias ou fungos.

“Clinicamente, a gente pode identificar uma inflamação ou uma infecção com a presença de pústulas, como se fossem acnes no couro cabeludo”, explica Dra. Marcela.

Na prática, isso significa que a foliculite no couro cabeludo pode aparecer como pontinhos vermelhos, bolinhas com pus, crostas, sensibilidade ao toque e até dor na região.

Em alguns casos, ela é confundida com acne capilar, caspa ou dermatite seborreica, mas o ponto principal para diferenciar está no local da inflamação: a foliculite acontece ao redor do folículo, bem na raiz do fio.

Quais são os sintomas da foliculite no couro cabeludo?

Entre os sintomas mais comuns da foliculite capilar estão a vermelhidão, a coceira e a dor no couro cabeludo. Em alguns casos, também pode surgir uma sensação de queimadura, principalmente quando a região está mais sensibilizada.

Alguns sinais que merecem atenção são:

  • pequenas bolinhas vermelhas na raiz dos fios
  • pústulas, parecidas com espinhas, no couro cabeludo
  • crostas ou pequenas feridas
  • sensibilidade ao pentear, lavar ou tocar a região
  • secreção em lesões mais inflamadas;
  • queda localizada dos fios, em quadros mais intensos ou persistentes.

A coceira é um dos sintomas que mais incomodam, mas é importante evitar coçar ou espremer as lesões, já que esse hábito pode piorar a inflamação, abrir pequenas feridas e facilitar a entrada de micro-organismos.

O que pode causar a foliculite no couro cabeludo?

Segundo a tricologista, o quadro é desencadeado quando há um desequilíbrio da microbiota do couro cabeludo, o que diminui a imunidade da região, favorecendo as irritações e a proliferação de fungos e bactérias.

“A foliculite também está associada a alguns fatores como a aplicação de medicamentos, cortes, feridas e o aumento da oleosidade no couro cabeludo”, diz.

Além desses fatores, alguns hábitos do dia a dia também podem contribuir para a foliculite capilar, como usar bonés, chapéus ou capacetes apertados com muita frequência, deixar o suor acumular após treinos, aplicar máscaras e óleos diretamente na raiz ou usar produtos muito pesados no couro cabeludo.

Vale ressaltar ainda que, aqui, a oleosidade também entra como um ponto importante. Isso porque quando o sebo se mistura a suor, células mortas e resíduos de finalizadores, os folículos podem ficar obstruídos, criando um ambiente mais favorável à irritação e à proliferação de fungos e bactérias.

Foliculite no couro cabeludo: o que é e como tratar

A foliculite pode causar vermelhidão, coceiras e dores no couro cabeludo

Foliculite capilar é a mesma coisa que caspa?

Não. Apesar de as duas condições afetarem o couro cabeludo, elas não são a mesma coisa. A caspa costuma aparecer como descamação branca ou amarelada, muitas vezes acompanhada de oleosidade e coceira. Já a foliculite capilar forma bolinhas inflamadas ao redor dos fios, que podem ser doloridas e conter pus.

A dermatite seborreica também pode causar vermelhidão, descamação e coceira, mas costuma afetar áreas maiores do couro cabeludo. Por isso, quando existem pústulas, dor ou feridinhas recorrentes, o ideal é procurar um dermatologista ou tricologista para confirmar o diagnóstico.

Quais são os tipos de foliculite no couro cabeludo?

A foliculite no couro cabeludo pode ter diferentes causas e intensidades. Em muitos casos, ela é leve e melhora com o tratamento adequado, mas alguns quadros exigem acompanhamento mais próximo.

A foliculite bacteriana é uma das mais comuns e costuma causar bolinhas inflamadas, muitas vezes com pus. Já a foliculite por fungos pode aparecer em cenários de desequilíbrio da microbiota, excesso de oleosidade ou umidade na região.

Também existem quadros relacionados à irritação e ao atrito, que podem surgir pelo uso frequente de capacetes, bonés apertados, penteados muito tensionados ou produtos que irritam o couro cabeludo. 

Em casos mais raros e persistentes, há tipos que podem causar cicatrizes e queda permanente dos fios, o que reforça a importância de buscar ajuda profissional quando o problema não melhora.

Como tratar a foliculite no couro cabeludo?

O primeiro passo para o tratamento da foliculite é identificar se ela é inflamatória ou infecciosa.

“No processo inflamatório, utilizamos produtos com ativos para acalmar o couro cabeludo. Mas, se for um processo infeccioso, com a presença de pústulas, é recomendado o uso de antibióticos”, explica a tricologista.

Ou seja: o tratamento depende da causa. Em alguns casos, podem ser indicados produtos com ação calmante, fórmulas para controle de oleosidade, shampoos específicos ou medicamentos tópicos. Quando há infecção, o tratamento pode envolver antibióticos ou antifúngicos, sempre com orientação médica.

Evite tentar resolver o quadro espremendo as bolinhas ou usando qualquer produto mais forte por conta própria. O couro cabeludo inflamado fica mais sensível, e fórmulas inadequadas podem piorar a irritação.

Shampoo para foliculite capilar: como escolher?

O shampoo para foliculite capilar pode ser um grande aliado, principalmente quando a oleosidade, a descamação ou o acúmulo de resíduos estão entre os fatores que pioram o quadro. Mas a escolha precisa ser cuidadosa.

Seu dermatologista deve ser sempre consultado para indicar uma fórmula que não piore os sintomas, mas, em geral, produtos voltados para limpeza do couro cabeludo, controle de oleosidade e equilíbrio da região costumam fazer mais sentido do que shampoos muito hidratantes ou pesados na raiz.

Ativos como ácido salicílico, piritionato de zinco, cetoconazol e outros ingredientes com ação antifúngica, antibacteriana ou esfoliante podem aparecer em fórmulas indicadas para alguns casos, mas não devem ser usados sem orientação, especialmente se houver feridas, ardência ou sensibilidade intensa.

Na rotina, vale aplicar o shampoo diretamente no couro cabeludo, massagear com delicadeza usando as pontas dos dedos e enxaguar bem. Já máscaras, condicionadores e óleos devem ser aplicados apenas no comprimento e nas pontas, evitando contato com a raiz.

Como prevenir a foliculite no couro cabeludo?

Para se prevenir contra a foliculite, Dra. Marcela orienta controlar a oleosidade do couro cabeludo fazendo uma limpeza profunda com produtos específicos para a região.

Além disso, alguns cuidados simples ajudam a manter o couro cabeludo mais equilibrado:

  • lave os cabelos com uma frequência adequada para o seu tipo de raiz
  • evite dormir com o cabelo molhado
  • higienize bonés, chapéus, fronhas, escovas e pentes
  • lave o cabelo após atividades físicas ou suor intenso
  • não aplique máscaras e finalizadores diretamente na raiz
  • evite coçar ou manipular lesões
  • reduza o uso de acessórios muito apertados
  • prefira água morna ou fria na lavagem
  • aposte em produtos específicos para couro cabeludo oleoso ou sensibilizado, quando houver necessidade.

A ideia não é montar uma rotina complicada, mas criar um cuidado mais atento com a raiz. O couro cabeludo também precisa de limpeza adequada, equilíbrio e produtos compatíveis com a sua necessidade.

Quando procurar um profissional?

Vale lembrar que, em casos ou suspeita de foliculite, é fundamental consultar o seu médico dermatologista ou tricologista para que ele dê um diagnóstico assertivo e recomende o melhor tratamento para o seu caso.

Procure ajuda principalmente se as bolinhas não melhorarem em poucos dias, se houver pus, dor intensa, feridas, queda de cabelo, crostas persistentes ou se a foliculite capilar voltar com frequência. Também é importante buscar avaliação se você tem diabetes, baixa imunidade ou alguma condição de pele já diagnosticada.

Quanto antes a causa for identificada, mais certeiro tende a ser o tratamento e menor o risco de manchas, cicatrizes ou queda localizada.

FAQ: dúvidas frequentes sobre foliculite capilar

- Por Letícia Leite